A divulgação da ópera Cavalleria Rusticana mostrada abaixo, a ser apresentada na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, no próximo dia 24 mostra alguns equívocos. Primeiro, a ópera não é repleta de amores ilícitos e traições, temos no máximo um, o amor de Lola por Turiddu.Vinganças e crimes de honra também só exite um nesse libreto, o de Alfio por Turiddu.
" Cavalleria Rusticana é uma ópera que requer orquestra, coro grande e cinco cantores principais" , frase óbvia essa, toda ópera requer uma orquestra. Cavalleria Rusticana não é ópera que exige grandes massas corais. Um coro pequeno e bem ensaiado consegue dar conta do recado. A ópera tem 5 solistas , mas dois deles são cantores principais e protagonistas. O tenor que canta Turiddu e o soprano que canta Santuzza são os principais, tem o maior destaque , grandes árias e duetos.
A divulgação coloca no mesmo patamar cantores de diferentes níveis e em várias etapas da carreira.Alguns iniciam uma carreira e outros estão no auge .Leila Guimarães é solista internacional, alías , a mais internacional das cantoras brasileiras. Protagonsita de inúmeros personagens da ópera , atuou nos grandes teatros líricos do mundo. Currículo invejável para uma cantora que se apresenta como brasileira. Leila está no auge vocal. Já a vi algumas vezes e só tenho boas recordações de sua voz e atuação. Que cantora nacional fez uma La Bohème ao lado do tenor Luciano Pavarotti?
Juremir Vieira é cantor internacional, reside em Viena, canta como protagonista e já atuou em diversos teatros da Europa.Tenho uma bela Madama Butterfly com ele gravada no Teatro Municipal de São Paulo. Adriana Clis é uma promessa, fará um papel pequeno .Sebastião Teixeira é excelente barítono, cantou durante anos no coro do Teatro Municipal de São Paulo. Interpretou diversos personagens relevantes da ópera , mas quase todos em solo nacional. Oxana Kornievskaya "mezzo-soprano russa, de carrera internacional e, pela primeira vez cantando no Brasil". Eu nunca ouvi falar desse famoso mezzo-soprano, olha que eu conheço muitos cantores.
Ao se escrever uma divulgação, deve-se ter um mínimo conhecimento da ópera em questão, dos solistas e dos protagonistas. Não se pode nivelar todos os cantores em um mesmo patamar. Existem cantores de fama internacional , outros de fama nacional , alguns em início de carreira e outros desconhecidos. A divulgação mostra uma visão distorcida da presente ópera .Convida o público a assistí-la ao afirmar que a obra é curta, com uma hora de duração. Como se ópera longa fosse chata.
Cavalleria Rusticana, um dos grandes sucessos na história da ópera, com Orquestra e Coro do Theatro Municipal na Sala Cecília Meireles.
A Orquestra Sinfônica e o Coro do Theatro Municipal, apresentarão no dia 24 de setembro, às 20 horas, na Sala Cecília Meireles, uma das mais populares tragédias da Ópera italiana, Cavalleria Rusticana. Estreada em 1890, em Roma, seu sucesso foi tão grande que, em apenas dois anos, arrebatou plateias em 290 teatros ao redor do mundo, um recorde na história da ópera.
A obra é curta, com uma hora de duração, e sua significação está no fato de apresentar gente comum em situações verdadeiras, contando uma história realista e humana, repleta de amores ilícitos, traições, vinganças e crimes de honra.
Cavalleria Rusticana é uma ópera que requer orquestra, coro grande e cinco cantores principais. Para isso, foram chamados alguns dos melhores cantores de ópera do Brasil: o soprano Leila Guimarães (Santuzza), de ampla carreira não só no Municipal, mas em todo o Brasil e na Europa; a jovem mezzo-soprano Adriana Clis (Lola), que sempre se destaca na ópera ou em concertos; o brilhante barítono Sebastião Teixeira (Alfio), a quem o público carioca aplaudiu em papéis da importância de “Rigoletto”, “Um Ballo in Maschera” e na estreia da ópera “O Cientista”; a mezzo-soprano russa, de carreira internacional e, pela primeira vez, cantando ópera no Brasil, Oxana Kornievskaya (Mamma Lucia), e, depois de longa ausência no Rio, o tenor Juremir Vieira (Turiddu), de extensa carreira européia, especialmente na Suíça, mas também na Itália, Alemanha, Áustria e Rumania
Todos estes artistas estarão sob a batuta do maestro Sílvio Viegas, Adjunto da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, que vem, nestes dois últimos anos, fazendo profícuo trabalho junto à OSTM. Ele fala sobre “Cavalleria Rusticana”:
“Trata-se de uma história de amor e traição, mesclando religiosidade e vingança, sangue e lágrimas, conduzida por uma música de forte dramaticidade e profundo lirismo, que emociona a todos. Esta é a segunda ópera que, em 2009, o Theatro Municipal, mesmo de portas fechadas, leva ao público carioca (a primeira foi O Barbeiro de Sevilha, em maio, no Teatro João Caetano), mantendo, desta forma, sua tradição e reputação como principal casa de ópera do Brasil.”
A obra
Compositor Pietro Mascagni
Libretista Giovanni Targioni
Ano de estreia: 1890
Local de estreia: Teatro Costanzi, Roma
Cavalleria rusticana é uma ópera em um único ato estreada aos 17 de maio de 1890 no Teatro Costanzi, em Roma. É dividida em duas partes, separadas por um intermezzo, mas se apresentam em cena contínua.
Os intérpretes
Leila Guimarães
Formada em canto pela Academy of Vocal Arts of Philadelphia, nos Estados Unidos, Leila Guimarães é uma das pouquíssimas cantoras líricas brasileiras que desenvolveu bela carreira fora do Brasil.
Estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 1978, em Otello, de Verdi e, em 1979, era já vista no Theatro Municipal de São Paulo, em Lo schiavo, de Carlos Gomes. Nesse mesmo ano, fez sua estréia internacional cantando a mesma ópera em Montevidéu, no Uruguai. O sucesso de suas seguidas apresentações em todo o Brasil levou-a aos Estados Unidos, para participar do Primeiro Concurso Internacional Luciano Pavarotti, que venceu entre mais de 500 candidatos de todo o mundo.
Cantou La Boheme, ópera de Pucinni, com o grande tenor, na Filadélfia, em 1982, e sua atuação foi decisiva para o EMMY recebido por essa produção. Leila é a única cantora brasileira a ter recebido um EMMY, o Oscar da TV americana. Apresentou-se em Washington, Miami, Atlantic City, nos EUA, onde permaneceu até 1985. Veio ao Brasil seguidas vezes durante sua estada nos EUA, tendo atuado no Rio e em São Paulo. Em 1986, foi escolhida pelo Theatro Municipal do Rio e pelo Palácio das Artes de Belo Horizonte para as homenagens a Carlos Gomes, tendo cantado Il Guarany e Lo schiavo nesses teatros com espetacular sucesso.
Em 1988, fixou residência em Milão e se fez notar na Itália tanto por seu canto e arte como por sua impressionante presença cênica: tem 1,79m e belíssima aparência, o que, em 1990, levou o diretor de cena Mauro Bolognini, que trabalhava com ela em Norma, do Teatro Massimo de Catania, a defini-la como a mais bela Norma do mundo. Em 1989, atuou na produção de Tosca para a Opera de Roma.
A partir de 1992, apresentou-se sempre em papéis principais em todo o mundo. Seu Lohengrin em mais de 20 cidades na França resultou em um CD, tendo se tornado a única cantora brasileira a ter gravado uma ópera integral de Wagner. De 1992 a 1997, cantou na França, na Alemanha, na Espanha, em Portugal, na Itália e no Canadá. Sua Turandot, em Montreal, no Estádio Olímpico para mais de 40 mil pessoas foi um extraordinário sucesso. Leila se fez notar pela crítica e pelos teatros internacionais também pela extrema dificuldade de seu repertório, dificilmente enfrentado por outra cantora lírica de todo o mundo.
Em 1997, partiu para longo período na Alemanha, onde cantou Nabucco para os públicos de mais de 25 cidades alemãs. No ano seguinte, protagonizou a versão de Turandot, de Zhang Yemou, no Teatro Regio di Torino. Mas ela não se dedicou só a apresentações como protagonista de óperas. Em 1997, realizou na Itália vários concertos e recitais, principalmente em Milão, e se destacou como brilhante divulgadora da música brasileira na Europa, tendo sido a primeira a apresentar em recitais, em várias cidades da Itália, obras de Valdemar Henrique, Francisco Mignone, Carlos Gomes e Villa-Lobos.
Sua gravação das Bachianas nº5, de Villa-Lobos, com a Orquestra Sinfônica Brasileira se destacou como recorde de vendas em todo o mundo e sua versão da mesma obra com piano tem merecido os maiores elogios já destinados a uma cantora brasileira no mercado fonográfico internacional. Em 2002, apresentou na Bélgica, obras de Carlos Gomes e de Villa-Lobos. Em 2004, atuou no Teatro Amazonas como Aída de Verdi; no Palácio das Artes fez Turandot, de Puccini; no Theatro Municipal de São Paulo, fez Lohengrin, de Wagner. Dona de enorme repertório operístico, Leila é considerada a grande voz de soprano brasileira da atualidade. “Villa-Lobos - Melodias Populares” foi o primeiro CD solo da soprano.
Adriana Clis
Natural do Rio de Janeiro, já aos 10 anos, Adriana Clis participava como solista da ópera Artemis, de Nepomuceno, apresentada, sob a regência do maestro Isaac Karabtchevsky. Mudando-se para São Paulo, começou seus estudos de canto com a professora Regina de Boer, até que passou a estudar com o professor Carmo Barbosa, em 1994, ano em que integrou o Coral Sinfônico do Estado de São Paulo.
Em 1996, ganhou o primeiro lugar no 1º Concurso de Canto de Araçatuba e, em 1997, a convite do maestro Samuel Kerr, participou do Coral Paulistano do Theatro Municipal de São Paulo.
Em julho de 1998, participou de curso no Conservatório Tchaikovsky, em Moscou, com a professora Klara Kadinskaia, preparadora vocal de ópera do Teatro Bolshoy. Em novembro do mesmo ano, ganhou o primeiro lugar no 2º Concurso Internacional Honorina Barra, em Curitiba, e, em outubro de 1999, recebeu o primeiro lugar no 2º Concurso Nacional de Música de Câmara Henrique Nirenberg, na cidade do Rio de Janeiro.
No ano 2000, recebeu bolsa de estudos da Fundação Vitae para curso de aperfeiçoamento vocal em Milão, na Itália, com o maestro Pier Miranda Ferraro, da Academia Lírica Italiana. Em dezembro do mesmo ano, participou de turnê pela França, onde fez recitais nas cidades de Bellegarde, Sévres e Paris. Em 2001, retornou a Paris, onde fez recital na Embaixada Brasileira, obtendo grande sucesso.
Desde 2002, participa das montagens do Festival Amazonas de Ópera, sob a batuta dos maestros Luiz Fernando Malheiro e Marcelo de Jesus.
Como solista participou das obras: Missa da Coroação e Requiem de Mozart; Ständchen de Schubert; Magnificat e Oratório de Natal de Bach; Requiem de Hidas; Requiem de Verdi; Nona Sinfonia e Fantasia Coral de Beethoven; Romeu e Julieta de Berlioz; Phaedra e Cantata Academica de Britten; Il Tramonto de Respighi; Óperas Zanetto e Cavalleria Rusticana de Mascagni; Ópera The Fairy Queen de Purcell; Ópera A flauta Mágica de Mozart; Ópera La Sonnanbula de Bellini; Óperas A Valquíria e Crepúsculo dos Deuses de Wagner; Ópera Madame Butterfly de Puccini; Ópera La Cenerentola de Rossini; Ópera Salvator Rosa de Carlos Gomes; Ópera O Anjo Negro de G. Ripper, entre outras.
Como recitalista, vem se apresentando ao lado do pianista Gilberto Tinetti e do violoncelista Watson Clis nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Florianópolis, Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória e na Faculdade de Música Carlos Gomes (SP), onde concluiu o Curso de Bacharelado em Canto.
Participou de Vesperais Líricas, tendo atuado em Lucrezia Borgia, de Donizetti; Suor Angelica, de Puccini; Árias e Duetos e A Dama Branca, de Boieldieu.
Atualmente estuda canto com as Professoras Leilah Farah e Eiko Senda, através de Bolsa de estudos da Fundação Vitae.
Venceu o Concurso Jovens Solistas “Eleazar de Carvalho” de 2002 e mais recentemente o IV Concurso Internacional de Canto “Bidu Sayão” (2003). Recebeu o Prêmio Carlos Gomes de 2002, na categoria “revelação”.
Sebastião Teixeira
Sebastião Teixeira foi duas vezes premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) na categoria de melhor cantor erudito. O barítono teve seu primeiro contato com a música através de seu pai, mestre de bandas no Interior de Minas.
Iniciou seus estudos de canto lírico em Belo Horizonte: com Marcos Thadeu, e Geraldo Chagas e em São Paulo: com Carmo Barbosa, Helly-Anne Caram, Luiz Tenaglia e Isabel Maresca e atualmente faz aprimoramento técnico vocal com a professora Isabel Maresca.
Já interpretou os papéis principais para barítono nas óperas Il Barbiere di Siviglia, La Boheme, Carmen, La Forza del Destino, Tiradentes, Don Pasquale, Madama Butterfly, Cavalleria Rusticana, I Pagliacci, Il Cappello di Paglia di Firenze, Pedro Malazarte, Dido and Eneas, Pelleas et Mélisande, Candide, Les Pêcheurs de Perles, L"Italiana in Algeri, Il Trovatore e Jenufa.
E os oratórios Réquiem de Fauré, Cantata Profana e Carmina Burana. Grande intérprete de Carlos Gomes, cantou o oratório Colombo de Carlos Gomes, gravado pela TV Cultura de São Paulo e Tiradentes, de Manoel Macedo em forma de concerto em Belo Horizonte. Interpretou essa mesma obra em 2004, com sucesso de público e crítica, no Theatro Municipal de São Paulo, sob regência de Roberto Duarte.
Em 1996, participou das principais homenagens ao compositor Carlos Gomes, cantando Colombo, Fosca e Maria Tudor, em concertos no Memorial da América Latina, Teatro Municipal de Santo André assim como no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Sebastião Teixeira cantou ao lado de artistas como Elena Obraztsova, Leona Mitchell, Lando Bartolini e Arthur Thompson entre outros.
Faz parte do elenco de solistas da Sociedade Brasileira de Ópera, e entre os maestros que o regeram destacam-se Eugene Kohn, Isaac Karabtchevsky, Jamil Maluf, John Neschling, Mário Valério Zaccaro, Roberto Tibiriçá, Roberto Minczuk, Túlio Collaccioppo, Naomi Munakata, Ira Levin, Osvaldo Colarusso, Luiz Fernando Malheiro, Lutero Rodrigues, Aylton Escobar, Flávio Florence, Alessandro Sangiorgi, Lionel Friend, Emílio de César, Sérgio Magnani, Afrânio Lacerda, Fábio de Oliveira, Matheus Araújo, Paulo Buchala e Roberto Farias.
Este ano, entre outros trabalhos, interpretou Zurga da ópera Os Pescadores de Pérolas nos teatros municipais de São Paulo e Rio de Janeiro, Carmina Burana na abertura da Temporada 2005 da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, e está no elenco de Salvator Rosa de Carlos Gomes.
Juremir Vieira
Nasceu em Porto Alegre e fez seus estudos com Lory Keller, na Escola de Musica da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre(OSPA), até 1993.
Sua estréia em São Paulo foi em 1994 no papel de Pinkerton em Madama Butterfly, com John Neschling. Já foi protagonista em diversas produções de ópera e concertos em muitas capitais brasileiras.
Em 1992, foi vencedor do 1° Concurso Carlos Gomes, no Rio de Janeiro. Em 1995, venceu o Pavarotti International Voice Competition, prêmio que o ajudou a começar sua carreira internacional.
Desde 1996, está radicado na Suíça, no teatro de Sankt Gallen, onde já cantou papéis importantes em óperas como Rigoletto, Traviata, Attila, Don Carlo, Simon Boccanegra, Nabucco, Carmen, Faust, Madama Butterfly, Boheme, Pais dos Sorrisos, Werther e Fledermaus.
Já cantou em vários teatros na Holanda, França, Itália, Áustria, Alemanha, Romênia, Irlanda e Iugoslávia. Em 2001, estreou Luisa Miller em Como, Itália, e Rigoletto, em Palermo. Em 2002, estreará Rosenkavalier e Contos de Hoffman, na Suíça, Rigoletto em Freiburg, Alemanha e Gioconda, em julho, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, ao lado da soprano brasileira Eliane Coelho.
Onde, quando e quanto
Sala Cecília Meireles
Largo da Lapa, 47
Fone: 21 2332 9176
Apresentação dia 24.09 às 20 h.
Ingresso: R$ 20,00
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Classificação Etária: Livre
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